Você já percebeu que, do nada, o seu coração começa a ficar mais acelerado, a garganta parece estar engasgada, como se tivesse um nó nela, as mãos começam a suar e os pensamentos desagradáveis não param de aparecer?
“E se tal coisa acontecer?” “Será que eu conseguiria passar por essa situação?” “Será que está tudo arruinado?” “Eu conseguiria enfrentar tudo isso?”
Essas sensações e pensamentos são mais comuns do que você imagina e pertencem à história e à constituição humana como um todo. Se pudéssemos controlar as reações naturais e desagradáveis frente às incertezas e aos problemas futuros, não seríamos seres humanos.
Essas sensações e pensamentos têm um nome: ansiedade.
A ansiedade faz parte da experiência humana
A ansiedade é uma resposta natural gerada a partir de incertezas futuras. É o medo de acontecer. Ela é uma emoção necessária e presente diante de determinados contextos.
Por exemplo, se você está passando por uma situação difícil e fica inseguro com possíveis desfechos que seriam desagradáveis, é normal que algumas dúvidas apareçam e gerem preocupações e agitações. O estranho mesmo seria não sentir.
Ou quando você está diante de uma vaga de trabalho tão sonhada, uma prova importante ou um trabalho decisivo e vem aquele frio na barriga, sabe?
A ansiedade também pode nos preparar
Essa emoção não vem acompanhada somente de aspectos negativos, mas também nos prepara para planejamentos e ações necessários. Sabe aquela agitação interna para você dar o melhor de si naquela oportunidade tão desejada? Ou aquela energia diante de uma decisão importante que você precisa tomar? Isso também aparece como ansiedade, como se fosse um incentivo para se preparar.
Quando a ansiedade se torna adoecedora
Entretanto, quando a ansiedade aparece de maneira excessiva ou desproporcional, é chamada de ansiedade patológica, ou adoecedora. Isto é, passa a aparecer muitas vezes e em momentos em que, a princípio, não deveria surgir. O sofrimento é tão intenso que surge em uma diversidade de contextos: dentro de casa, no trabalho ou na escola, na relação com os amigos e em diferentes outros.
Os transtornos de ansiedade surgem a partir da ansiedade patológica. Ela possui aspectos semelhantes, mas aparece de maneira variada em cada tipo de transtorno, conforme as suas próprias características. A título de exemplo, vou fazer uma comparação entre o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e o transtorno do pânico (TP).
TAG e transtorno do pânico: qual a diferença?
TAG
- A pessoa que possui TAG lida com ansiedade praticamente diária.
- É como se viesse uma montanha de pensamentos, incertezas e medos o tempo inteiro.
- Incertezas sobre o trabalho, os estudos, a vida financeira e até mesmo sobre aspectos positivos da vida.
- Ela não carrega consigo somente a angústia mental, mas o corpo também reflete o incômodo: dores de cabeça, suor nas mãos, tensão muscular, fadiga e diversos outros sintomas.
TP
- No TP, por outro lado, a ansiedade aparece através de crises intensas, com sensações físicas tão desconfortáveis, como coração acelerado, aperto no peito e tontura.
- A pessoa pensa que algo sério pode acontecer com ela: problemas de coração, questões sérias de saúde ou até enlouquecimento.
- Pelo incômodo tão forte, esse indivíduo passa a ter medo de ter novas crises.
- Esse processo passa a gerar um ciclo vicioso, em que a observação de sintomas mínimos indicativos de crises gera a própria crise em si.
Sintomas parecidos, funcionamentos diferentes
O que fazer quando a ansiedade causa sofrimento
E você, caro leitor, pode estar se perguntando: “Eu tenho determinadas características. O que eu posso fazer a respeito disso?”; “Eu me identifiquei. Isso é muito ruim de ser sentido”; “Será que tem tratamento?”.
Sim, muitas vezes, a ansiedade pode gerar pensamentos e sentimentos tão desconfortáveis que parecem quase insuportáveis de vivenciar. Mas calma, isso tem tratamento.
Através da terapia cognitivo-comportamental, a mais indicada para os transtornos de ansiedade, você consegue desenvolver uma relação saudável com a ansiedade patológica, conseguindo direcionar o que realmente deve ser alvo de ansiedade e o que não deve. Além disso, são utilizadas técnicas para a redução dos sintomas físicos e a modificação de pensamentos desconfortáveis e desagradáveis.
A terapia pode ajudar nesse processo
Por isso, se você sofre com ansiedade, o primeiro passo a ser dado pode ser buscar iniciar o tratamento através da terapia cognitivo-comportamental.
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