A atenção é uma função da cognição humana.
E o que é exatamente cognição?
A cognição envolve os processos mentais que são utilizados para processar, adquirir e armazenar as informações do mundo ao redor. Alguns exemplos são a própria atenção, a memória e a linguagem.
Vamos, então, introduzir o conceito de atenção.
Ela é um processo que envolve a capacidade de selecionar e direcionar os recursos mentais para determinados estímulos ou atividades. Ou seja, a pessoa consegue selecionar e escolher para onde deseja direcionar e manter o seu foco.
E ela não é uma só, você sabia disso? Essa função possui 5 principais modalidades. Vamos falar um pouco sobre elas a seguir.
As 5 principais modalidades da atenção
1) Alertness e arousal
Em português, significam nível de alerta e ativação. São as formas mais básicas de atenção, que preparam o organismo para receber informações e responder a elas.
O arousal está relacionado ao nível de despertar do organismo, que varia entre o sono, a sonolência e a vigília (período em que passamos acordados).
Já o alertness é o componente atencional relacionado ao estado de prontidão do corpo para perceber estímulos e responder a eles. Uma demonstração de sua ação surge em momentos em que você escuta alguém chamar o seu nome e responde de imediato ou ao ouvir um barulho forte e inesperado durante a noite, colocando-se em prontidão para agir.
2) Atenção seletiva
Consiste na escolha de um estímulo que concorre com vários outros presentes. Acontece, por exemplo, quando você precisa focar em uma só conversa entre tantas outras presentes no ambiente ou observar os sinais corretos a serem utilizados na resolução de problemas matemáticos.
3) Atenção alternada
Ocorre quando é necessária a alternância do foco entre dois estímulos ou tarefas diferentes. Uma situação comum em que ela é utilizada acontece quando você precisa alternar entre ler uma receita e cozinhar. Outra ocorre durante o trânsito, quando é necessário observar, em determinado momento, o retrovisor, depois a rua e, em seguida, o semáforo.
4) Atenção dividida
Ela participa dos processos em que é necessário dividir o foco atencional para lidar com duas demandas ao mesmo tempo. Quando você está estudando e ouvindo música ao mesmo tempo, está distribuindo o recurso atencional. A mesma coisa acontece em momentos no trânsito em que é preciso dirigir e acompanhar as informações do GPS.
5) Atenção sustentada
Permite que o foco atencional seja prolongado por determinados períodos. Ela é utilizada, por exemplo, na execução de atividades acadêmicas, como ler um livro, assistir a aulas ou fazer provas e atividades.
Alguns aspectos importantes sobre o funcionamento da atenção
1) A atenção, geralmente, não funciona de maneira isolada.
Você tinha essa informação? Os processos mentais são interligados e dependem uns dos outros.
Pense, por exemplo, em quando você está lendo um livro e já chegou à décima página do dia. Além de prestar atenção ao conteúdo atual, você também precisa se lembrar do que leu anteriormente, por meio da memória, para estabelecer relações entre as diferentes partes do texto.
2) A atenção sofre variações de acordo com o estado físico do corpo humano.
Ela é influenciada por níveis adequados de sono, energia e saciedade.
Já percebeu que, quando você teve aquela noite ruim de sono, fica bem mais difícil estar atento? Ou até mesmo naqueles momentos em que aparecem a fome, a sede ou o cansaço?
3) A atenção depende de recursos motivacionais.
Isto é, varia de acordo com o nível de interesse de cada um por determinada atividade e seus objetivos.
Fica mais fácil passar horas nas redes sociais do que estudar para aquela prova chata, não é mesmo?
4) As emoções interferem na atenção.
A ansiedade, a tristeza e os sintomas depressivos podem direcionar os recursos atencionais.
Tome a ansiedade como exemplo: você já tentou se concentrar em alguma atividade enquanto estava ansioso? Os recursos atencionais podem ficar voltados para aquela agitação corporal e para determinadas ideias, o que pode dificultar o retorno da sua atenção ao momento atual.
5) O ambiente impacta a atenção.
O sistema atencional é afetado, inicialmente, pelas informações que chegam por meio dos órgãos dos sentidos (ouvidos, olhos, tato, paladar, entre outros). Muitos desses elementos estão presentes no ambiente externo, ou seja, naquilo que podemos observar fora do nosso corpo.
Assim, a atenção recebe constantemente esses estímulos e precisa direcionar os recursos para aqueles que são mais relevantes.
É por isso que o excesso de barulhos, cores e movimentações pode piorar a concentração e demandar um esforço mental maior do que seria necessário se não houvesse tantos estímulos.
6) Não é só o TDAH que impacta a atenção.
Um dos sintomas do TDAH realmente é o prejuízo dos recursos atencionais. Porém, muitos outros transtornos e condições podem afetar essa função. Transtornos de ansiedade, transtornos depressivos e até mesmo o autismo podem trazer consigo prejuízos à atenção.
Por isso, é importante buscar uma avaliação profissional quando a atenção estiver constantemente prejudicada, para fins de diagnóstico do real problema e, claro, dos possíveis tratamentos.
Quando a atenção parece prejudicada
E aí, caro leitor, você conseguiu se identificar com alguma dessas situações? Percebeu que a sua atenção anda prejudicada? Como já foi ressaltado, nem todo prejuízo atencional envolve um transtorno propriamente dito. Às vezes, ele pode ser circunstancial, relacionado ao sono, à fome ou ao excesso de estímulos.
Ainda assim, também pode estar relacionado a algum tipo de condição e demandar análise e tratamentos estruturados e direcionados para cada demanda específica. A avaliação neuropsicológica pode ajudar nesse processo.
Se você percebe que está apresentando prejuízos atencionais e que isso está afetando o seu dia a dia, vale sempre procurar ajuda profissional.
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